Só pra não dizer que ainda não comecei...

Bem, estas primeiras linhas vêm somente para que não adentres a este humilde blog em vão. Sê bem-vindo(a) e espero que aproveites estas palavras ou, pelo menos, as compreendas e lhes não atribuas sentidos escusos.
E, para fins de esclarecimento: escrevo o que minha cabeça ordena, e, sinceramente, não tenho cá grandes preocupações com o fato de ninguém por aí meter-se a ler pensamentos para entender minhas palavras...
E, se por ventura ficares a ver navios, tendo minhas linhas no horizonte distante...
... Azar o teu!

20 de outubro de 2014

Pensem no seguinte:
O mundo é uma bola. O cérebro humano é uma ervilha. E tudo gira.
Desde que essa raça começou a se alastrar pelo planeta uma verdade absoluta (sim, é absoluta porque é inegável) segue por milênios: só fazemos merda. E merda cíclica! Outra coisa também me parece mais do que comprovada: somos geneticamente burros. Não sei se por defeito ou característica da raça. Não aprendemos com os nossos erros. Talvez cada um, dentro do curtíssimo período ridículo a que chamamos vida, até consiga aprender com suas cagadas e (tentar) não repeti-las. Mas enquanto humanidade, somos burros feito pedra... Acho que até as pedras tiveram melhor evolução. Somos burros feito porta! Cegos, surdos, mudos mas, principalmente, desmemoriados. Temos Alzheimer. E, como doença degenerativa que é, vem se agravando ao longo dos séculos. Estamos praticamente naquele ponto em que não sabemos mais quem somos, de onde viemos, o que queremos. Falamos do passado como se fosse presente, desconhecemos e agredimos nossos irmãos, e nos perdemos todo o tempo. Somos confusos, caóticos e malcriados.
Mas a principal consequência dessa doença me parece ser o fato de que ela nos torna repetidores crônicos dos mesmos velhos erros. "Como nossos pais" já cantava Elis. Como nossos ancestrais, eu acrescentaria... E como nossos filhos e netos eu prediria.
O nosso maior trunfo enquanto animais é o nosso algoz. Esse cérebro tão maravilhoso, essa máquina tão perfeita que nos faz tão "superiores" ao resto dos seres animados desse planeta é exatamente o que nos faz sermos as criaturas mais burras e nocivas a tudo o que está a nossa volta. Porque esse mesmo cérebro que nos dá a ilusão de sermos emoção e razão, de sermos generosos e sentimentais esconde uma verdade que dói muito: somos maus. Somos ruins que dói nos ossos. E os que se dizem bons só o são para se sobressaírem aos que são podres às vistas.
Só conquistamos quando destruímos. Só evoluímos a custos altíssimos, muitas vezes na nossa total incapacidade de enxergar as consequências dos nossos estragos. Quando mais queremos subir, mais fundo é o buraco em que nos atolamos.
A história ensina que já tivemos a idade das trevas. Perdão, mas, com toda essa luz, com toda essa tecnologia, com tanta inteligência, informação e esclarecimento, nunca estivemos num escuro tão profundo como hoje.
Mais cedo li um texto que falava que não somos pessoas que se informam. Que o que fazemos, sendo expostos a uma enchente de notícias e pontos de vista é apenas filtrar e buscar aquilo que nos é agradável aos olhos. Em meio a tantas fontes buscamos não informações, mas confirmações daquilo em que acreditamos ou pregamos. E essa leitura foi o que me motivou a escrever. Pra variar, comecei com uma tentativa de postagem no Facebook mas, na terceira linha já notei que as palavras excederiam o que postulei como tolerável pra uma rede social. E, confesso, também preferi evitar os comentários. Aqui eu escrevo e pronto. Quem quiser ler que leia. Sem curtidas ou compartilhamentos ou segundas, terceiras ou milésimas opiniões. Prefiro escrever pra mim, no meu espaço e quem quiser que venha aqui...
No frigir dos ovos, o que me ocorre é aquela velha história... Somos influenciáveis demais. Quanto mais inteligentes tentamos parecer, mais patéticos ficamos. Seguimos, analfabetos ou pê-agá-dês, sendo manipulados e levados pela maré. Gananciosos como o próprio diabo — e nem sei se ele é tão má pessoa assim, coitado — mesquinhos, vingativos, egoístas, hipócritas e, sobretudo ignorantes. Ainda somos neandertais! Mudamos as cavernas e os modos (às vezes), mas por dentro ainda somos aquelas mesmas criaturas movidas por instintos e pela fome.
Aprendemos a criar ilusões e a viver delas. Somos pobres por isso. O dinheiro é uma ilusão. Um pedaço de papel que ganhamos em troca do nosso trabalho e do nosso esforço, e também trocamos por comida, por coisas que "melhoram" nossa vida: alimentos que nos destroem, máquinas que nos matam, equipamentos que nos corrompem. Estou errada em dizer que seguimos mais burros do que nunca?
E o pior de ser gente é parar pra pensar em tudo isso. É ver sem crer, ouvir sem compreender, pensar sem chegar a conclusão nenhuma. Deprimir-se é o castigo. E já inventamos drogas suficientes pra afundar tudo isso.
Minha maior droga é esse pensar. É o que me tira do chão, me faz voar e depois cair, de cara nessa merda que somos e fazemos. Viajo alto pra depois afundar na realidade.

É mesmo de doer. Por isso tento escrever, pra ver se passa...

18 de outubro de 2014

Politicopinião

Esse argumento do necessário mudar, de renovar pra que outro faça ou tente fazer melhor não pode ser critério para decidir quem vai governar um país.
É um critério fraco. Pois não avalia fatos, apenas teorias políticas que não me convencem. Um partido não governa sozinho. Nesse jogo, uma mão lava a outra, no chamado quid pro quo. Quem apoia Aécio hoje, vai querer seu quinhão do poder amanhã. Feliciano, Bolsonaro, Fidelix... Esse tipo de gente consolida tudo o que eu não quero pro meu país: corrupção do pior tipo, a que começa no mais sagrado dos solos: a fé humana.
Mudar é e sempre será preciso. Mas colocar a mudança na frente dos princípios e daquilo em que se acredita é uma altitude tola.
É possível mudar com a cobrança, é possível mudar com a pressão, é possível mudar com o diálogo, mas não é preciso aceitar aquilo que não se tolera em nome da simples mudança!
Jamais se pode optar pela mudança a esmo quando se tem nas mãos uma escolha assim tão séria. Necessita-se muita análise e reflexão, pesos e medidas.
Ora, o vagabundo que usufrui sem precisar de um benefício social nada mais é do que um corrupto. Ele pratica a mesma corrupção dos que roubam milhões e suja igualmente o país.
O médico que se recusa a trabalhar no interior depois de ter passado anos na grande merda da faculdade porque não vai ganhar a fortuna que "merece" tem mesmo é que ser substituído por um de Cuba, do Uzbequistão, do inferno que seja! Todos querem ganhar, poucos querem fazer... Na política como no boteco!
"Ah, mas não tem estrutura, não tem hospital decente, como eu vou trabalhar?" Deixa morrer então! Vai esperar sentado até que um país desse tamanho consiga uma estrutura completa e funcional de saúde?! Decerto é pra ontem!
Vai pros Estados Unidos, colega. Vai pra grande maioria dos outros países com impostos até maiores que os nossos pra ver se tem SUS!
Ah, é uma bosta? Pode não ser ainda um modelo, mas tem. Estamos longe, muito longe de darmos exemplo, mas até muito pouco tempo atrás éramos uma floresta no mundo. Pensava-se em Brasil com índios, macacos, praias e trombadinhas analfabetos fazendo arrastões nas areias do Rio. Ninguém tava cagando pra o que era ou quem era esse que é um dos maiores países dessa porra de mundo.
Somos visíveis. Temos voz. Ganhamos respeito. Olhos estão apontados pra nós. Ninguém tava cagando se o presidente fosse o cacique da Amazônia... Hoje, o mundo inteiro está de olho nessa eleição e somos notícia todos os dias.
Se alguém realmente acha que o país não está melhor (mesmo que ainda tenha quilômetros de evolução pela frente), vai ler a Veja e sai do meu blog. Não tem mesmo nada de útil pra ti aqui...
Não quero jogar o país na mão de gente como o Aécio e seus cupinchas. Não faço isso em nome de mudança nenhuma! Pois eu olho sim pro passado e olho pro presente. Vejo o quanto esse país melhorou (aliás, o MUNDO vê o quanto esse país mudou). Mas tem gente que parece seguir enxergando o governo com olhos de torcedor de futebol!
Muito do que se vê nos três poderes e em suas podridões reflete aquilo que somos e que fazemos no nosso dia a dia. Somos corruptos e corruptíveis. Somos fanáticos, raivosos e cegos.
Eu escolho pelos meus princípios, pelos meus ideais e por aquilo que defendo. E luto pela mudança que for necessária sem ter que abdicar das minhas convicções.
Não estou contente com o Brasil de hoje. Mas é inegável que vivo noutro Brasil bem diferente de anos atrás. Reconheço o que há de ruim e reconheço o que melhorou, mas, principalmente reconheço aquilo de que quero distância!
Pra dar um voto de efetiva mudança é preciso crer que há competência, ética e coragem para efetivá-la. E essas ficaram barradas no primeiro turno.

Hoje é treze.

2 de outubro de 2014

Narciso e o papelão

Então eu abri essa janela do Blogger, cliquei em "nova postagem" e um enorme campo de edição de texto apareceu na minha frente. E confesso que devo ter ficado uns quinze minutos olhando pra essa tela em branco sem me passar pela cabeça sequer uma palavra.
Há alguns dias divulguei que estava retomando as atividades do meu blog, pra tentar desafogar minhas mágoas do Facebook. E eis que me parece que tal atitude me provocou um silêncio incômodo das ideias. Há muita coisa que eu talvez queira dizer, mas sinto que a vontade para tal não anda das melhores.
Empurro estas palavras com a barriga (esta sim, das grandes) pra ver se, daqui a alguns minutos não me surge algo brilhante, dramático, engraçado, irônico, que desencadeie um enorme e profundo texto. Daí, talvez eu apague tudo que escrevi até agora... Ou mantenha, pra ilustrar a verdadeira "salvação" que pode representar uma boa ideia em meio a tantas palavras sem muito sentido ou graça. E talvez esse texto reflita o que tenho feito da minha vida ultimamente: empurrá-la com a barriga. Ou arrastá-la lomba abaixo. Não. Abaixo não. 
Não que não me sinta feliz. Tenho muitos motivos pra não me considerar um fracasso completo. E outros tantos motivos que me confirmam como um belo fracasso incompleto.
Mas devo insistir em dizer que meu copo está meio cheio. É preciso que esteja. Pois, enfim (ou já), pareço me convencer de que não vim para as grandes coisas. Os grandes e nobres objetivos dos tempos de adolescência parecem ter ficado pra trás, e sua realização bateu nas traves da vida.
Já enxerguei que a cara de pau sobrepuja o talento e o dom. É preciso o dom de meter a cara. E esse me faltou. A insistência que me falta ofusca a competência que me sobra. E há (e conheço ao baldes) quem tenha insistência até demais.
E essa minha idiota mania de observar e compreender o funcionamento do mundo que me cerca, por mais que dele eu discorde em alto grau, me deixa com profunda preguiça. Tenho preguiça de tentar desenferrujar essas engrenagens velhas e gastas. E por vezes me sinto injustiçada por ter nascido aquariana. Porque eu não deveria viver neste mundo. Ou este mundo deveria viver sem mim. E talvez, se minhas pilhas ficassem fracas, meu relógio ficasse mais lento, o mundo me alcançasse. Tudo talvez...
O fato é que não sei mais direito dormir tarde. Tampouco consigo acordar muito depois das oito ou oito e meia. Vícios de alguém que se habituou a uma rotina. Uma rotina que nunca, de fato, quis para si, mas que, uma vez que veio, foi silenciosamente se instalando... Provando para uma adolescente rebelde todas aquelas coisas que os destruidores de sonhos, conhecidos à época como adultos, insistiam em afirmar: a vida não é assim; isso não vai dar certo...
Constatações com ares depressivos de alguém que nunca conseguiu (nem isso) se deprimir. Viva a genética!
Sei que há muito do que me orgulhar. Só não estou conseguindo fazer uma lista nesse momento. Daqui a pouco me vem. E passa.