Link parte 4: Bianca (parte 4)
Eita, Giovana!
Sugestão de trilha sonora (pra daqui a trinta e poucas linhas...): Paula Cole - Feelin' Love (link)
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Segunda-feira, acordei antes do João. Ele me levou para o trabalho, uma hora e meia antes, e fiquei esperando no café da esquina. Nada da Viviane. Ela só chegou no fim da manhã, deixando expressamente avisado que não queria ser incomodada e passou por mim sem nem me olhar. Esperei a secretária trilíngue do óculos com armação azul ir ao banheiro e, sem pestanejar, me levantei e entrei naquela sala. Sem bater.
— Isso é jeito de entrar? Eu pedi pra ninguém me incomodar.
— Foda-se.
Ela ficou espantada. E eu nem dei tempo pra ela dizer mais nada.
— O que tá acontecendo? Se você quer me demitir, ou algo assim, vai fundo! Mas não passa por mim e me ignora como você fez ali...
Eu juro que não sei de onde vieram essas coisas. Nem o foda-se, nem as minhas repentinas bolas pra terminar aquela frase. E trocamos aquele olhar de novo, por um bom tempo. Baixei a cabeça e senti um risco molhar minha face.
— Não tenho por que te demitir... — ela respondeu, com o rosto igualmente molhado. — Sou tão culpada quanto você por isso tudo, essa situação... Por esse erro...
A última parte doeu mais que o resto todo. Então eu me aproximei, segurei sua mão.
— Desculpa... Mas não foi um erro pra mim. Não somos crianças, a gente não precisa fazer uma tempestade disso...
— Bianca, você é minha funcionária, é casada — enfatizou bem essa parte — Não podíamos ter deixado algo assim acontecer.
— Mas então por que você fugiu?
— Eu não fugi, eu tinha umas coisas pra resolver e...
— Merda nenhuma.
— Ei! O que é isso? Olha como você fala comigo aqui dentro! E abaixa o tom da voz.
Estávamos falando alto demais, já deveríamos estar chamando a atenção dos outros. Recuei um passo, mas estava aflita.
— Olha pra mim. Confessa que fugiu. Confessa que ficou pensando em tudo aquilo... Confessa que não conseguiu tirar aquela noite da cabeça... — comecei a soluçar — Confessa que pensou em mim em cada minuto desde a hora em que a gente se beijou... Por favor... Confessa... Porque isso tudo tá me enlouquecendo... Não parei de pensar em você, naquele beijo... No que aconteceu e no que podia ter acontecido...
Abracei-a com força, mas sem muita reciprocidade.
— Bianca... Não sei o que te dizer... — desconversou.
Me afastei novamente, percebendo que ela estava desconfortável com aquilo, engoli o choro, enxuguei as lágrimas e respirei fundo.
— Desculpa. Eu não devia ter entrado aqui. Foi muita petulância da minha parte. Você pediu pra não te incomodarem. Me desculpa. Vou sair. Depois você decide se acha melhor que eu não siga na empresa. Não vou me opor a qualquer decisão... Com licença.
Levei mais alguns segundos pra me acalmar completamente, virei as costas e fui em direção à porta.
— Eu fugi.
Parei.
— Eu fugi... Porque eu não queria chegar aqui e te olhar. Não queria sentir de novo aquele desejo... Tava com medo de ficar perto de você, de sentir o seu cheiro... De ter vontade de te beijar, de transar com você aqui, nessa mesa... De ir até o fim... De continuar de onde a gente parou. É claro que eu não consegui parar de pensar naquela noite.
Sorri. Senti um alívio enorme. Cheguei até ela acho que em dois passos, e a beijei. E foi um beijo tão consciente! Não tinha álcool, não tinha joguinhos, provocações. Eu estava nua. Pela primeira vez, me sentia completamente nua, desprotegida, desarmada, ao beijar alguém, ao estar com alguém. Não contei o tempo... Mas foi bastante.
— Que bela mesa... — sorri, mordendo o lábio.
Ela foi até a porta e a trancou.
— Você é maluca... E eu acho que gosto disso...
Eu já estava em pé, escorada na mesa. Ela encaixou o corpo entre minhas pernas e começou a desabotoar a camisa, lentamente, me beijando o pescoço. Tirou minha blusa, e passeava suas mãos quentes pelas minhas costas... Agarrei sua bunda e virei-a contra a mesa. Nunca tinha sentido aquela vontade... Eu queria possuí-la, penetrá-la, fodê-la com meus dedos, minha língua.
Já não tínhamos a menor noção de onde estávamos. Tirei sua calça e sentei-a sobre a mesa, então me agachei, lentamente beijando suas pernas, até que minha língua tocou seu sexo. Ela gemeu, talvez mais alto do que deveria. Mas não ligamos. Eu não parei e ela me pedia que continuasse.
— Isso... Me chupa... Isso... Ai...
E eu estava com muito tesão. Seria capaz de gozar sem sequer me tocar... Estava latejando, muito molhada. Eu não sabia muito bem o que estava fazendo, mas fazia exatamente o que o meu instinto e o corpo dela mandavam.
— Vem cá — e me puxou para entre suas pernas — quero sentir teu corpo no meu.
Eu esfregava minha boceta em suas pernas e ela retribuía. Um ritmo cadenciado, com vigor. Eu sentia aquele líquido quente molhando minha coxa. Agarrava os cabelos, respirávamos muito ofegantes, tentando controlar os gemidos. Eu sussurrava ao seu ouvido...
— Gostosa... Eu quero te foder toda...
— Então fode... Mete bem gostoso e me faz gozar...
Enfiei um dedo, devagar, ela pedia mais, enfiei o outro, com força. Virei-a de costas. Que visão! O corpo suado, feminino, febril, rebolando enquanto eu metia meus dedos dentro dela. Quando senti que ela ia gozar, tapei sua boca.
— Shhh. Baixinho, baixinho... Daqui a pouco vão arrombar a porta...
— Vem cá!
Foi a minha vez de ser jogada sobre a mesa. Nessa hora um estrondo ao derrubarmos uma caixa de correspondências metálica e muito pesada nos deteve por cinco segundos. Rimos. A essa altura, só um surdo, a uma quadra dali, pra não ter entendido o que estava acontecendo naquela sala. Mas ninguém ousaria interromper ou falar qualquer coisa.
Ela começou a me chupar. E eu tenho a impressão de ter gritado... Mas não consigo ter certeza... Nem ela soube dizer. Eu gozei tão rápido e tão intensamente que achei que ia desmaiar. Minhas pernas quase quebraram a cadeira em que eu me apoiava. Depois disso ela sentou em sua cadeira. A cadeira da chefe. Sentei no seu colo. Continuávamos nos beijando. Agora o ritmo era mais lento. Eu acariciava seu corpo, enquanto minha respiração e meus batimentos tentavam voltar ao normal. Ela segurou minha cabeça entre as mãos e ficamos nos olhando por longos instantes, intercalando com beijos, mas sem dizer uma palavra sequer.
Talvez uma hora tenha sido o tempo que levou tudo aquilo... Passou voando! Não lembro que hora entrei na sala, não tinha a menor noção de quanto tempo, de fato, havia passado. Mas sabia de uma coisa com toda a certeza: não fomos nem um pouco discretas.
— Acho que a sua fama de chefe reservada e séria foi pro espaço...
— Bem como a sua fama de casada...
— Ai. Não tinha pensado nisso... Não tinha pensado em nada, aliás...
— Arrependida?
— Nunca — beijei-a — Faria tudo de novo.
— É só fazer...
— E vou... Mas não agora. Não aqui...
— Onde e quando?
— Calma... A gente marca... Pode ser na tua casa. Naquele sofá ou na tua cama — fechei os olhos — Deve ser muito gostoso fazer amor naquela cama...
— E é...
— Deve ser pra lá que você arrasta todas as outras...
Ela deu um sorriso sem jeito e ficou com o rosto corado...
— O quê? Vai me dizer que você não é...
— Lésbica?... Talvez...
— Talvez?
— Na verdade, sim... Mas estava “de molho”, até alguns dias atrás, pelo menos... Até a gente se beijar, lá em casa... Nunca tinha sentido nada parecido com isso por ninguém, não com essa intensidade...
— Eu vi uma foto sua com outra mulher no Face... Estavam numa praia.
— Mas você não tá no meu Face... Eu acho.
— Não. Mas eu entrei no seu perfil, e a foto estava lá. Foi ela que postou... Ano passado. Era sua namorada?
— Você estava fuçando minha vida, é?
— Estava — sorri, com malícia, e a beijei.
— Não. Ela não foi minha namorada... Embora tenha sido a última pessoa com quem eu me envolvi.
Bem, estava na hora de encarar o mundo fora daquela sala. E eu estava morrendo de vergonha.
— Vamos almoçar? — perguntou, na maior cara de pau, enquanto tentava ajeitar o cabelo.
Ah, foda-se!
— Vamos.
E saímos, como se nada tivesse acontecido. A secretária trilíngue do óculos com armação azul foi a única que não conseguiu disfarçar o constrangimento. Acho que a coitada escutou absolutamente tudo, tão perto da porta. Talvez todo mundo tenha escutado tudo. Mas, quando passei na minha mesa para pegar a bolsa, entendi o real motivo do constrangimento. Havia um bilhete, num post-it, colado no meu monitor, que dizia: “Me liga” com a letra do João. Peguei meu celular, que havia ficado sobre a minha mesa e tinha umas quatro chamadas dele. Mostrei o bilhete pra Viviane. Fomos falar com a secretária.
— Que horas o João esteve aqui?
— Faz uns trinta minutos... Ele disse que queria almoçar com você.
Olhei pra ela com uma cara meio desesperada. Pela cronologia, digamos que ele chegou num momento não muito silencioso... Mas não tinha coragem de perguntar se ele tinha escutado alguma coisa.
— Desculpa, Dra. Marins. Mas não consegui evitar que ele ficasse... alguns minutos aguardando... Eu tentei ligar pra senhora, mas acho que seu telefone estava fora do gancho... Me desculpa... Mas... Não sei...
— Ele percebeu? — perguntou Viviane, num tom de voz bem baixo, mas sem muito constrangimento.
— Não posso dizer com certeza... Mas ele não parecia muito bem quando saiu.
— Ai meu Deus!
(continua)
Link última parte: Bianca (parte 6 - final)
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