Link parte 1: Bianca (parte 1)
Link parte 5: Bianca (parte 5)
Então, galere, essa é a última parte do texto, e a que, pra mim, é a mais crua e mais importante. Beijos!
Obrigada por escolherem voar conosco. E tenham um dia azul.
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Peguei minha bolsa e saí correndo. Liguei pra ele. Foi curto e grosso. Estava em casa, me esperando. Entrei, visivelmente nervosa. Não precisaria de muito pra me entregar... Ele chegou perto, como se fosse me dar um beijo, mas não chegou a encostar. Apenas falou, de um jeito que eu nunca o ouvi falar e nunca vou esquecer:
— Dá pra sentir o cheiro da boceta dela na tua cara... — ensaiou um tapa, mas não chegou a desferi-lo, e se afastou, com uma expressão de ódio e nojo.
— Ela ia te demitir?... Pra você precisar foder com ela?...
Comecei a chorar.
— Caralho, Bianca! Que porra é essa?! — ele veio em minha direção e me agarrou pelos braços — Que porra é essa? Responde! Trepando com a chefe, uma mulher! Praticamente na frente de todo mundo? Como se aquilo fosse um bordel, e não um escritório. Todo mundo escutando os grunhidos das duas putas!
— Para! Não sei o que dizer... Não sei explicar... Aconteceu...
— Aquele dia, que você não voltou pra casa... Vocês foderam também? Há quanto tempo vocês tão me fazendo de otário??! Há quanto tempo tu virou uma lésbica dessas? Ela te contratou pra ser a puta dela? — serrou os dentes e, novamente, ergueu a mão, como se fosse me bater.
— Não!
Ele me segurava com muita força, estava começando a machucar.
— Qual é o seu problema? Não gosta de foder comigo? Achei que eu sabia te satisfazer, que sabia do que você gostava... — E começou a tirar a minha calça.
— Chega, João! Para!
— Achei que era disso que você gostava...
E me forçou contra a parede, segurando minha boca, enquanto forçava seu pau dentro de mim. Eu queria gritar, mas só conseguia soluçar.
— Mas, pelo jeito, agora você gosta é de uma boceta...
Me jogou contra o sofá. E se lançou mais uma vez na minha direção, com raiva. Eu tentava me desvencilhar dele, mas era inútil.
— Para! Por favor... Para.
Ele fechou a calça, levantou-se e me agarrou pelo braço novamente.
— Vem comigo.
Pegou a chave do carro e foi em direção à porta, quase me arrastando.
— O que você tá fazendo?
— Liga pra ela! — jogou meu celular com força, contra meu rosto, o que o fez se espatifar ao cair no chão.
— Deixa ela em paz!
— Liga pra ela ou eu vou fazer um escândalo naquela porra de bordel! Já que todo mundo deve estar sabendo dessa putaria e rindo do corno aqui!
— Eu vou chamar a polícia!
Ele me soltou. Caí de joelhos, chorando compulsivamente. Ele saiu pelo corredor. Levantei e corri atrás dele.
— Deixa a Viviane em paz! Não chega perto dela!
— Não vou atrás da sua machorra! Quando eu voltar, não quero ver você aqui. Tá entendendo? Pega tuas coisas e sai daqui!
E se foi. Nenhum vizinho sequer abriu a porta pra ver o que estava acontecendo ou o motivo da gritaria. Entrei, fechei a porta e desabei. Eu estava machucada. Acabara de ser agredida e estuprada pelo homem com quem eu tinha me casado. Levei a mão no rosto e percebi que estava sangrando. Me sentia a última das pessoas. Só conseguia chorar. O pior de tudo é que eu ainda me sentia culpada... Não tinha forças pra levantar do chão.
Peguei os pedaços do meu celular, pra ver se conseguia fazê-lo funcionar, mas a tela havia se partido. Entrei em desespero, não sabia a quem recorrer. Não queria envolver minha família nisso... Então meu telefone fixo tocou. Com um pouco de dificuldade, um pouco tonta, consegui chegar até o aparelho e atender. Era Viviane.
— Oi... Tá tudo bem? Tô tentando ligar pro teu celular e tá desligado. Peguei teu fixo na agenda da secretária. Conseguiu falar com teu marido?
Quase não consegui dizer uma palavra... Só chorava.
— Foi horrível... Ele... Saiu...
— Ele te agrediu?
Não consegui responder. Ela veio me buscar. E, por receio do que poderia acontecer, não veio sozinha, trouxe um segurança amigo dela, pra garantir que o João não voltasse ou estivesse esperando. Deixou o rapaz parado na porta, e entrou. Abracei-a desesperada.
— Meu Deus! O que esse animal fez com você! Olha esses hematomas nos seus braços! E esse corte no seu rosto? Meu Deus! Você não chamou a polícia?
— Não... Não quero nada disso... Me leva daqui!
— Bianca... Se você não denunciar isso, ele pode fazer de novo, ou até pior... Isso não pode ficar assim...
— Não... Por favor... Me tira daqui.
Ela me ajudou a juntar algumas roupas, o que cabia na mala que tinha em casa, e saímos. Até o segurança ficou assustado com o meu estado. Fomos até um pronto atendimento para tratar o corte no rosto. Mas não deixei que ninguém mais visse os hematomas. Pelo estado deplorável em que eu me encontrava, foi muito difícil convencer a pessoa que me atendeu de que eu havia sentido tonturas, me desequilibrado e batido a cabeça contra um móvel, porque estava sem comer. Aliás, acho que não a convenci, mas Viviane conversou e conseguiu segurar o que resultaria provavelmente num comunicado à polícia.
Ela insistiu para que fôssemos pra casa dela, embora eu quisesse ir pra algum hotel.
— De jeito nenhum! Não vou te deixar sozinha. Também sou responsável por isso tudo... Vamos lá, você toma um banho e depois vai comer alguma coisa...
Entrei no banheiro, não conseguia me olhar no espelho. Aquele curativo no meio da minha cara era o menor dos meus problemas...
— Quer que eu fique com você?
— Não... Preciso ficar sozinha um pouco...
Depois do banho eu fui deitar, no mesmo quarto em que dormira no outro dia.
— Não... Aqui — interrompeu ela, apontando a porta do seu quarto — Você fica aqui, comigo... — pegou-me pela mão e me levou até a cama — Deita aí e espera que eu vou tomar um banho e venho ficar aqui do seu lado...
Quando ela voltou eu criei coragem e contei, de fato, e aos prantos, o que o João tinha feito. Ela ficou transtornada. Chorávamos juntas.
— Que monstro! Um animal desses tinha que estar é na cadeia! — e acariciava meus cabelos — Ele nunca mais vai chegar perto de você!... Fica tranquila, tá?... E tenta descansar...
E só consegui dormir com a cabeça deitada em seu peito, entre seu abraço, escutando sua respiração, que se acalmava junto com a minha.
Nos dias seguintes, quando eu me senti melhor, recuperada daquele episódio horrível, comecei a entender melhor o que estava acontecendo dentro de mim. Foi quando parei de me culpar e realmente pensei sobre o que eu sentia. Depois de tantos impulsos, de tanta confusão, de tantos sentimentos e desejos nebulosos, as coisas estavam, finalmente, clareando na minha cabeça. E com Viviane eu tive mais uma grande descoberta: fiz amor, pela primeira vez na minha vida! Naquela cama onde já estávamos dormindo todas as noites. Não um amor suave e delicado. Foi tudo muito intenso, forte, cheio de puxões de cabelo, arranhões. Uma noite inteira de prazeres e sensações que me faziam sentir completa. Senti-me conectada a ela de uma forma que jamais sentira com ninguém. E, quando ela estava dentro de mim, e eu fui toda sua, eu consegui deixar sair, com uma verdade nunca antes tão sólida, do fundo da minha alma, olhando aqueles olhos castanhos, o que eu realmente estava sentindo.
— Eu te amo.
— Eu também te amo, talvez desde o momento em que nos beijamos pela primeira vez — respondeu, sorrindo, antes de me beijar — Mas talvez tenha que te demitir, né?... — brincou.
— Então, eu acho que vou ter que usar o meu método infalível para dissuadi-la e resolver esse problema... O que acha?...
— Deixa eu ligar e avisar pro pessoal do escritório tirar o dia de folga, então... Eles não precisam escutar tudo aquilo de novo...
— Dá pra sentir o cheiro da boceta dela na tua cara... — ensaiou um tapa, mas não chegou a desferi-lo, e se afastou, com uma expressão de ódio e nojo.
— Ela ia te demitir?... Pra você precisar foder com ela?...
Comecei a chorar.
— Caralho, Bianca! Que porra é essa?! — ele veio em minha direção e me agarrou pelos braços — Que porra é essa? Responde! Trepando com a chefe, uma mulher! Praticamente na frente de todo mundo? Como se aquilo fosse um bordel, e não um escritório. Todo mundo escutando os grunhidos das duas putas!
— Para! Não sei o que dizer... Não sei explicar... Aconteceu...
— Aquele dia, que você não voltou pra casa... Vocês foderam também? Há quanto tempo vocês tão me fazendo de otário??! Há quanto tempo tu virou uma lésbica dessas? Ela te contratou pra ser a puta dela? — serrou os dentes e, novamente, ergueu a mão, como se fosse me bater.
— Não!
Ele me segurava com muita força, estava começando a machucar.
— Qual é o seu problema? Não gosta de foder comigo? Achei que eu sabia te satisfazer, que sabia do que você gostava... — E começou a tirar a minha calça.
— Chega, João! Para!
— Achei que era disso que você gostava...
E me forçou contra a parede, segurando minha boca, enquanto forçava seu pau dentro de mim. Eu queria gritar, mas só conseguia soluçar.
— Mas, pelo jeito, agora você gosta é de uma boceta...
Me jogou contra o sofá. E se lançou mais uma vez na minha direção, com raiva. Eu tentava me desvencilhar dele, mas era inútil.
— Para! Por favor... Para.
Ele fechou a calça, levantou-se e me agarrou pelo braço novamente.
— Vem comigo.
Pegou a chave do carro e foi em direção à porta, quase me arrastando.
— O que você tá fazendo?
— Liga pra ela! — jogou meu celular com força, contra meu rosto, o que o fez se espatifar ao cair no chão.
— Deixa ela em paz!
— Liga pra ela ou eu vou fazer um escândalo naquela porra de bordel! Já que todo mundo deve estar sabendo dessa putaria e rindo do corno aqui!
— Eu vou chamar a polícia!
Ele me soltou. Caí de joelhos, chorando compulsivamente. Ele saiu pelo corredor. Levantei e corri atrás dele.
— Deixa a Viviane em paz! Não chega perto dela!
— Não vou atrás da sua machorra! Quando eu voltar, não quero ver você aqui. Tá entendendo? Pega tuas coisas e sai daqui!
E se foi. Nenhum vizinho sequer abriu a porta pra ver o que estava acontecendo ou o motivo da gritaria. Entrei, fechei a porta e desabei. Eu estava machucada. Acabara de ser agredida e estuprada pelo homem com quem eu tinha me casado. Levei a mão no rosto e percebi que estava sangrando. Me sentia a última das pessoas. Só conseguia chorar. O pior de tudo é que eu ainda me sentia culpada... Não tinha forças pra levantar do chão.
Peguei os pedaços do meu celular, pra ver se conseguia fazê-lo funcionar, mas a tela havia se partido. Entrei em desespero, não sabia a quem recorrer. Não queria envolver minha família nisso... Então meu telefone fixo tocou. Com um pouco de dificuldade, um pouco tonta, consegui chegar até o aparelho e atender. Era Viviane.
— Oi... Tá tudo bem? Tô tentando ligar pro teu celular e tá desligado. Peguei teu fixo na agenda da secretária. Conseguiu falar com teu marido?
Quase não consegui dizer uma palavra... Só chorava.
— Foi horrível... Ele... Saiu...
— Ele te agrediu?
Não consegui responder. Ela veio me buscar. E, por receio do que poderia acontecer, não veio sozinha, trouxe um segurança amigo dela, pra garantir que o João não voltasse ou estivesse esperando. Deixou o rapaz parado na porta, e entrou. Abracei-a desesperada.
— Meu Deus! O que esse animal fez com você! Olha esses hematomas nos seus braços! E esse corte no seu rosto? Meu Deus! Você não chamou a polícia?
— Não... Não quero nada disso... Me leva daqui!
— Bianca... Se você não denunciar isso, ele pode fazer de novo, ou até pior... Isso não pode ficar assim...
— Não... Por favor... Me tira daqui.
Ela me ajudou a juntar algumas roupas, o que cabia na mala que tinha em casa, e saímos. Até o segurança ficou assustado com o meu estado. Fomos até um pronto atendimento para tratar o corte no rosto. Mas não deixei que ninguém mais visse os hematomas. Pelo estado deplorável em que eu me encontrava, foi muito difícil convencer a pessoa que me atendeu de que eu havia sentido tonturas, me desequilibrado e batido a cabeça contra um móvel, porque estava sem comer. Aliás, acho que não a convenci, mas Viviane conversou e conseguiu segurar o que resultaria provavelmente num comunicado à polícia.
Ela insistiu para que fôssemos pra casa dela, embora eu quisesse ir pra algum hotel.
— De jeito nenhum! Não vou te deixar sozinha. Também sou responsável por isso tudo... Vamos lá, você toma um banho e depois vai comer alguma coisa...
Entrei no banheiro, não conseguia me olhar no espelho. Aquele curativo no meio da minha cara era o menor dos meus problemas...
— Quer que eu fique com você?
— Não... Preciso ficar sozinha um pouco...
Depois do banho eu fui deitar, no mesmo quarto em que dormira no outro dia.
— Não... Aqui — interrompeu ela, apontando a porta do seu quarto — Você fica aqui, comigo... — pegou-me pela mão e me levou até a cama — Deita aí e espera que eu vou tomar um banho e venho ficar aqui do seu lado...
Quando ela voltou eu criei coragem e contei, de fato, e aos prantos, o que o João tinha feito. Ela ficou transtornada. Chorávamos juntas.
— Que monstro! Um animal desses tinha que estar é na cadeia! — e acariciava meus cabelos — Ele nunca mais vai chegar perto de você!... Fica tranquila, tá?... E tenta descansar...
E só consegui dormir com a cabeça deitada em seu peito, entre seu abraço, escutando sua respiração, que se acalmava junto com a minha.
Nos dias seguintes, quando eu me senti melhor, recuperada daquele episódio horrível, comecei a entender melhor o que estava acontecendo dentro de mim. Foi quando parei de me culpar e realmente pensei sobre o que eu sentia. Depois de tantos impulsos, de tanta confusão, de tantos sentimentos e desejos nebulosos, as coisas estavam, finalmente, clareando na minha cabeça. E com Viviane eu tive mais uma grande descoberta: fiz amor, pela primeira vez na minha vida! Naquela cama onde já estávamos dormindo todas as noites. Não um amor suave e delicado. Foi tudo muito intenso, forte, cheio de puxões de cabelo, arranhões. Uma noite inteira de prazeres e sensações que me faziam sentir completa. Senti-me conectada a ela de uma forma que jamais sentira com ninguém. E, quando ela estava dentro de mim, e eu fui toda sua, eu consegui deixar sair, com uma verdade nunca antes tão sólida, do fundo da minha alma, olhando aqueles olhos castanhos, o que eu realmente estava sentindo.
— Eu te amo.
— Eu também te amo, talvez desde o momento em que nos beijamos pela primeira vez — respondeu, sorrindo, antes de me beijar — Mas talvez tenha que te demitir, né?... — brincou.
— Então, eu acho que vou ter que usar o meu método infalível para dissuadi-la e resolver esse problema... O que acha?...
— Deixa eu ligar e avisar pro pessoal do escritório tirar o dia de folga, então... Eles não precisam escutar tudo aquilo de novo...
(Até que enFIM)
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